“Precisamos mudar o paradigma — o financiamento climático é uma oportunidade económica, não um custo.”
A afirmação é do Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, que falava esta terça-feira, 15 de Outubro de 2025, na abertura da 1.ª Conferência Nacional de Financiamento Climático, realizada em Maputo, sob o lema “Transformando os desafios climáticos em oportunidades de desenvolvimento”.
O evento, promovido pelo Ministério da Planificação e Desenvolvimento (MPD), através da Direcção Nacional de Financiamento Climático (DNFC), visa consolidar um diálogo nacional inclusivo sobre os mecanismos financeiros e estratégicos de resposta às mudanças climáticas, promovendo soluções inovadoras para acelerar a transição climática e económica do país.
Transformar o desafio climático numa oportunidade económica
Na sua intervenção, o Ministro Salim Valá sublinhou a necessidade de o país redefinir a forma como encara o financiamento climático, defendendo que este deve ser tratado como uma oportunidade de investimento no crescimento e na estabilidade fiscal.
“O financiamento climático não é uma despesa, é um investimento estratégico no futuro. Precisamos mudar o paradigma e encarar as finanças climáticas como instrumento de crescimento e transformação económica”, afirmou.
O governante destacou que as mudanças climáticas têm impacto directo na economia e no bem-estar das populações, exigindo abordagens práticas e estruturadas para fortalecer a resiliência das comunidades e dos sectores produtivos.
Estratégia Nacional de Financiamento Climático 2025–2034
Durante o evento, foi apresentada a Estratégia Nacional de Financiamento Climático (ENFC 2025–2034), recentemente aprovada pelo Governo, que estabelece um quadro estratégico e institucional para mobilização de recursos internos e externos destinados à implementação de políticas climáticas sustentáveis.
A Estratégia tem como principais objectivos:
- Reforçar a capacidade de mobilização de financiamento climático, através da tributação e orçamentação verde;
- Incentivar o investimento privado em projectos de baixo carbono e de resiliência climática;
- Introduzir instrumentos financeiros inovadores, incluindo créditos de carbono, seguros climáticos e trocas de dívida por clima;
- Assegurar coordenação interinstitucional e transparência na monitoria e reporte dos fluxos financeiros climáticos.
Segundo o Ministro, Moçambique precisa mobilizar cerca de 37,2 mil milhões de dólares até 2030 para alcançar a resiliência climática plena, conforme estimativas do Banco Mundial.
Parcerias e inovação financeira
A conferência apresentou exemplos concretos de cooperação e inovação financeira, destacando-se:
- A troca de dívida entre Moçambique e a Bélgica, que converteu 2,4 milhões de euros em investimento climático;
- A parceria com a Africa Carbon Markets Initiative (ACMI), que apoia a elaboração do Plano Nacional de Activação do Mercado de Carbono;
- O modelo de Cabo Verde, que transformou dívida soberana em recursos destinados à transição energética e economia azul.
“Estes modelos demonstram que o financiamento climático é possível e vantajoso. Permite gerar emprego, atrair investimento e reforçar a soberania económica”, destacou o Ministro.

Moçambique rumo à liderança regional em finanças verdes
O Ministro reafirmou o compromisso do Governo em posicionar Moçambique como referência regional na mobilização de financiamento climático, através de diplomacia económica activa e parcerias estratégicas internacionais.
“Temos o conhecimento e a vontade política para liderar. O desafio agora é transformar compromisso em acção”, enfatizou Salim Valá.
A 1.ª Conferência Nacional de Financiamento Climático conta com o apoio técnico e financeiro da Enabel (Cooperação Belga) e do FCDO (Governo do Reino Unido), e reúne representantes do Governo, sector privado, sociedade civil, academia e parceiros de cooperação.
O evento simboliza o compromisso de Moçambique com a sustentabilidade, a inovação financeira e a integração da agenda climática na estratégia de desenvolvimento nacional, num esforço conjunto para construir um futuro económico mais verde, resiliente e inclusivo.
