Governo Defende Resiliência Como Pilar Central Da Estratégia Nacional De Desenvolvimento

Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, defende integração da resiliência nas políticas económicas, territoriais e infra-estruturais para fortalecer a capacidade do país enfrentar choques climáticos e acelerar o desenvolvimento sustentável. O Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, defendeu, em Maputo, uma nova abordagem de desenvolvimento nacional baseada em resiliência, planeamento territorial e transformação estrutural da economia, no contexto da Conferência “Diálogo Sobre Resiliência”. Durante a sua intervenção, o governante destacou que Moçambique enfrenta actualmente desafios cada vez mais complexos associados às mudanças climáticas, urbanização acelerada, pressão sobre infra-estruturas, vulnerabilidades sociais e choques económicos externos, factores que exigem respostas estruturais e coordenadas do Estado. Segundo Salim Valá, os fenómenos climáticos extremos deixaram de constituir acontecimentos isolados e passaram a representar desafios permanentes ao desenvolvimento económico e social do país. “O grande desafio não é apenas reconstruir aquilo que foi destruído. O desafio é reconstruir melhor”, afirmou o ministro. O governante destacou que a recuperação pós-desastres deve servir igualmente para reorganizar o território, melhorar infra-estruturas, reduzir vulnerabilidades futuras e fortalecer a capacidade de resposta do país. Dados apresentados durante a conferência, no âmbito do Plano Global de Recuperação e Reconstrução Pós-Cheias 2026, indicam que as cheias registadas em Janeiro afectaram cerca de 724.131 pessoas em diferentes províncias do país. O levantamento realizado pelo Ministério da Planificação e Desenvolvimento, com apoio do PNUD e parceiros, aponta ainda para danos físicos estimados em cerca de 71,8 mil milhões de meticais (1,12 mil milhões USD) e perdas económicas avaliadas em aproximadamente 40,3 mil milhões de meticais (631 milhões USD). As estimativas oficiais indicam igualmente que as necessidades globais de recuperação e reconstrução resiliente ascendem actualmente a cerca de 102,27 mil milhões de meticais, equivalentes a aproximadamente 1,60 mil milhões USD. Na sua intervenção, Salim Valá defendeu que a resiliência deve ser integrada nas políticas industriais, agrícolas, energéticas, urbanas e infra-estruturais, promovendo um modelo de desenvolvimento mais preparado para enfrentar riscos climáticos e económicos. O ministro destacou igualmente a importância do fortalecimento das economias locais, da diversificação produtiva, do ordenamento territorial e do investimento em infra-estruturas resilientes. À margem do evento, em entrevista concedida ao O.Económico/Semanário Económico, o governante reiterou que a resiliência precisa assumir-se como política estrutural de desenvolvimento. “A resiliência não pode continuar a ser tratada apenas como resposta à emergência. Tem de ser transformada em política estrutural de desenvolvimento”, afirmou. Segundo Salim Valá, Moçambique possui igualmente potencial para transformar parte das suas vulnerabilidades em oportunidades estratégicas, através da valorização dos recursos naturais, agricultura, logística, integração energética regional e economia azul. O ministro defendeu ainda maior coordenação entre planeamento, finanças públicas, investimento privado e desenvolvimento territorial, sublinhando a necessidade de garantir que os recursos mobilizados contribuam efectivamente para a transformação estrutural da economia nacional.