Moçambique Defende Em Washington Nova Abordagem De Desenvolvimento Económico Para Reduzir Fragilidades E Reforçar A Resiliência Das Comunidades

  • Participação do Ministro Salim Valá no Fragility Forum 2026 destaca experiência moçambicana na promoção do desenvolvimento económico local, inclusão produtiva e criação de oportunidades como instrumentos de construção da estabilidade sustentável

Washington D.C., Estados Unidos da América — Moçambique está a defender uma nova abordagem para enfrentar os desafios associados à fragilidade, vulnerabilidade e exclusão socioeconómica, baseada na promoção do desenvolvimento económico local, na criação de oportunidades de emprego e rendimento e no fortalecimento da capacidade das comunidades para liderarem os seus próprios processos de desenvolvimento.

A posição foi apresentada pelo Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, à margem do Fragility Forum 2026, evento promovido pelo Grupo Banco Mundial que reúne líderes governamentais, instituições multilaterais, especialistas e parceiros internacionais para debater soluções inovadoras para os desafios da fragilidade, conflito e violência.

O Ministro integra a delegação moçambicana liderada por Sua Excelência Daniel Francisco Chapo, Presidente da República de Moçambique, que participa no fórum a convite do Banco Mundial.

Segundo Salim Valá, a experiência acumulada por Moçambique nos últimos anos demonstra a necessidade de evoluir de abordagens predominantemente centradas na resposta securitária e assistencialista para modelos de desenvolvimento económico inclusivo e sustentável, capazes de atacar as causas estruturais das vulnerabilidades.

“Estamos a promover uma mudança de paradigma. A construção da estabilidade duradoura exige que as comunidades tenham acesso a oportunidades económicas, emprego, rendimento e participação activa nos processos de desenvolvimento. O desenvolvimento económico local deve constituir uma componente central das estratégias de prevenção da fragilidade e de fortalecimento da resiliência”, destacou o governante.

Neste contexto, o Ministro apresentou aos participantes do fórum um conjunto de iniciativas em implementação no Norte de Moçambique, apoiadas pelo Banco Mundial e por outros parceiros de desenvolvimento, que procuram criar condições para uma transformação económica inclusiva e sustentável dos territórios mais vulneráveis do país.

Entre as iniciativas destacadas figura o Projecto Conecta Negócios, implementado sob coordenação da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), que continua a apoiar micro, pequenas e médias empresas através de instrumentos de financiamento, capacitação empresarial e integração em cadeias de valor. Actualmente, o programa dispõe de mais de 642 milhões de meticais para novas janelas de financiamento que serão lançadas ao longo de 2026.

O Ministro destacou igualmente o futuro Projecto de Emprego, Coesão Social e Inclusão Económica no Norte de Moçambique (MozComunidades), actualmente em fase final de preparação. Com um orçamento de 250 milhões de dólares e horizonte de implementação de oito anos, o programa pretende promover o emprego, fortalecer a inclusão económica, reforçar a coesão social e ampliar as oportunidades de desenvolvimento para as comunidades das províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa.

Salim Valá referiu ainda que esta nova geração de programas sucede a importantes intervenções implementadas nos últimos anos, incluindo o Projecto de Recuperação da Crise do Norte (NCRP) e o Projecto MozNorte, que mobilizaram recursos significativos para apoiar a recuperação económica e social da região.

Paralelamente, o Projecto de Desenvolvimento Urbano do Norte de Moçambique (PDUNM) continua a apoiar o fortalecimento das infra-estruturas urbanas e da capacidade institucional dos municípios de Pemba, Montepuez, Nacala e Nampula, contribuindo para a criação de ambientes mais favoráveis ao investimento e ao desenvolvimento económico.

O Ministro sublinhou que estas iniciativas se enquadram numa visão mais ampla de desenvolvimento territorial e transformação económica inclusiva, alinhada com os objectivos nacionais de redução da pobreza, criação de emprego e fortalecimento da resiliência das comunidades.

Durante os encontros realizados em Washington, Salim Valá destacou igualmente a importância do novo Quadro de Parceria entre Moçambique e o Grupo Banco Mundial para o período 2026-2031, que prevê a mobilização de um envelope financeiro global estimado em 10 mil milhões de dólares para apoiar prioridades nacionais relacionadas com a estabilidade macroeconómica, desenvolvimento do sector privado, infra-estruturas estratégicas, resiliência climática e criação de oportunidades para a juventude.

O governante reiterou que Moçambique continuará a defender uma abordagem integrada que combine crescimento económico, inclusão social, fortalecimento institucional e adaptação climática como pilares fundamentais para a construção de uma economia mais resiliente e de uma sociedade mais próspera.

A participação de Moçambique no Fragility Forum 2026 constitui uma oportunidade para partilhar experiências nacionais, reforçar parcerias internacionais e contribuir para o debate global sobre soluções sustentáveis para os desafios da fragilidade e do desenvolvimento.